Vocês têm suas crenças e os outros têm as deles. Vocês se apegam à sua forma particular de religião e os outros se apegam as deles. Vocês são Cristãos, outros são Muçulmanos e outros Hindus. Vocês têm essas divergências e distinções religiosas, mas ainda falam de amor fraternal, tolerância e unidade – não que deva haver uniformidade de pensamento e ideias. A tolerância de que vocês falam é apenas uma invenção esperta da mente, essa tolerância indica apenas o desejo de se apegarem às suas próprias peculiaridades, às suas próprias ideias, aos seus preconceitos limitados e permitir que os outros sigam as deles. Nessa tolerância não há diversidade inteligente, mas apenas uma espécie de indiferença superior. Existe absoluta falsidade nessa tolerância. Vocês dizem: “Vocês continuem em seu próprio caminho e eu continuarei no meu. Mas sejamos tolerantes, fraternais.” Quando houver verdadeira fraternidade, amizade, quando houver amor em seu coração, então vocês não falarão de tolerância. Somente quando vocês se sentem superiores em sua certeza, em sua posição, em seu conhecimento, somente então vocês falam de tolerância. Vocês são tolerantes apenas quando há distinção. Com a cessação da distinção, não se falará em tolerância. Então, vocês não falarão de fraternidade, porque em seus corações vocês são irmãos.
Adyar, 1ª Palestra Pública – 29 de dezembro de 1933
Então, para mim, a verdade não tem aspectos; ela é uma. E aquilo que é completo, inteiro, não tem aspectos. Não é como uma lâmpada com diversos lustres coloridos. Ou seja, vocês instalam lustres coloridos sobre a lâmpada, e então, se a cor de sua luz for verde, vocês tentam ser tolerantes com a luz vermelha, inventando assim aquela infeliz palavra “tolerância”, que é tão artificial, uma coisa seca que não tem valor. Certamente, vocês não são tolerantes com seus irmãos, com seus filhos. Quando há verdadeira afeição, não existe tolerância. Então, é apenas quando nossos corações murcham é que falamos sobre tolerância. Pessoalmente, não me importo com o que vocês acreditam ou não acreditam, porque meu afeto não é baseado em crença. A crença é algo artificial; ao passo que a afeição está relacionada a essência das coisas. Quando essa afeição murcha, tentamos disseminar a fraternidade pelo mundo com discursos sobre tolerância e unidade das religiões. Mas onde existe compreensão real, não há discursos sobre tolerância.
Auckland, Palestra aos Teosofistas – 31 de março de 1934